terça-feira, 16 de março de 2010

Um recado feminino sobre a Copa do Mundo

Já li alguns e-mails e textos de homens alertando as mulheres sobre os 30 dias de Copa do Mundo. Me divirto em todos, claro, mas vi mulheres rindo também como se aquilo não fosse sério. Então, como mulher, resolvi apelar.
Pra começar, vamos explicar uma coisa: Se você não é fã de futebol ao ponto de acompanhar campeonatos ou se você só assiste a um jogo pra fazer companhia para seu namorado, você não vira uma expert em futebol durante os 30 dias da Copa. Isso não acontece, amiga. Não pense que um raio de inteligência futebolística caiu na sua cabeça só porque a Seleção entrou em campo.

Outra coisa! Se você é das namoradas pacíficas que assiste aos jogos ao lado do cara, já sabendo que se falar algo vai levar um grande “shhhhhhhh” na orelha, deixa eu te avisar. Na Copa, os homens funcionam como nós na TPM. Não provoque, não insista, não discuta. Você nunca vai compreender o desespero que é ver a Alemanha fazer um gol aos 45 do segundo tempo numa semi-final. Seja boazinha e fique bem caladinha no seu canto. A sua TPM passa, não passa? A Copa também (por isso esses milhões de e-mails e textos em blogs te preparando psicologicamente pra este período.)

Se por um algum desastre natural nós perdemos um jogo, sim, nós acreditamos que a Argentina só ganhou aquele jogo contra a Grécia porque não estávamos assistindo e torcendo contra eles. Então, entenda uma coisa: TODO JOGO É IMPORTANTE! Assim como lembrar a data de 3 meses de namoro é importante pra você, Paraguai x Eslováquia é uma partida importante para a Copa e não deve ser ignorada. E nunca, jamais, em hipótese alguma, menospreze com comentários nonsense as seleções africanas.

Mais um detalhe. Agora de mulher pra mulher. Eu sei. O Kaká é um fofo e assistir a Itália x Alemanha pode ser surpreendentemente ofegante para o sexo feminino, mas vamos deixar os comentários pra nossa conversa de banheiro, tá? Durante o jogo existe uma aura de concentração esportiva que nos impede de reparar detalhadamente a beleza masculina em campo. Isso só acontece depois do apito final.

E não, aquele não é o Beckham, amiga. Ele não foi pra Copa.

Ah! Pra fechar, vou avisar pra todos, seja mulher, homem, criança, cachorro, periquito, papagaio, o que for!

Você nasceu no Brasil? Você é brasileiro.

Seja brasileiro sempre. O patriotismo que baixa eu você durante o mês da Copa não vale pra nada. Não nos irrite com a sua corneta nos nossos ouvidos durante os jogos. Ela só deve ser utilizada nos 15 segundos pós-gol e olha lá! Recomendo o máximo de precaução na utilização deste objeto. Obrigada! (:

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ela era o tipo de pessoa que se via dentro dos livros e filmes quando os lia ou assistia. Era aquela que quando terminava uma leitura, saia falando sozinha como se continuasse a história, junto com os personagens imaginários.
Todo mundo sabia da sua existência no mundo, mas mesmo assim era "só mais uma no meio da multidão". E ela gostava de saber disso. Mas ela já tinha 22, acabara de se formar na universidade e estava vivendo uma vida de sonhos. Era uma curitibana que se orgulha de seu sangue paulista. Era filha de uma arquiteta e de um ex-bancário que se descobriu chef de cozinha e irmã de uma oceanógrafa. Ela gostava tanto dessa variedade de formações em casa. Sempre aprendia coisas novas e se orgulha de saber tanto sobre tantas coisas graças a essa família. Aprendeu, por exemplo, a cuidar e observar as coisas no mundo e a não caminhar pelo caminho traçado. Ela lembrava da mãe se orgulhando da filha de 11 anos dizendo: “Quero ser designer” e resolveu cursar jornalismo. Porque? Porque queria fazer revista. Lá, ela descobriu que a melhor de fazer revista era diagramar. E também descobriu de como jornais diários eram legais. Resolveu se dedicar a isso, mas no lugar certo. A mãe adorava provocá-la dizendo “Não falei, vai ser designer!”. Ela não deu bola e lá foi. No design gráfico, ela se encontrou e redescobriu suas paixões. Mas ela não sabia parar quieta. Estudou inglês porque achava o Brasil pequeno demais para os seus sonhos (e também porque queria entender as músicas que ouvia...). Ela gosta de congressos porque se sente bêbada com tanta informação nova cruzando seu cérebro. Ela sempre acreditou que é compartilhando informações que se gera mais informação. Ela se apaixonou pela vida acadêmica. Nessas idas e vindas da vida acadêmica, já escreveu e apresentou um artigo sobre Harry Potter, liderou uma equipe para criar um produto para a inclusão digital, descobriu que não adiantava fugir do jornalismo porque amava tudo aquilo ainda, por isso juntou os dois mundos em uma monografia sobre a diagramação de capas de jornais, mostrou para os próprios colegas como é importante ser pró-ativo, criou uma revista do zero, diagramou para infodesigners, e se diverte com projetinhos fantasias como o redesign da revista mais pop do Brasil e criando cartões de visita. Daí vem o que todo mundo pergunta pra ela. E ela sempre se empolga pra responder. Porque a revista? Ele diz que revista é como ela. É design. É jornalismo. É informação. É ser atualizada. É investigar. É apostar. É conhecer. É reconhecer. É estar a frente. É formar opinião. É gerar discussão. É ser efêmero e eterno ao mesmo tempo. É ser referência. É ser histórico. Ah, como ela se empolga ao falar das revistas que tanto consumia e a consumiam. Ela fica parecendo criança boba de felicidade com presente de dia das crianças. Ela tinha que viver isso. Foi aí que resolveu. Depois de viver a vida sempre em fast forward em Curitiba, ela chegou em São Paulo. Mas revista tem em Curitiba. Porque não ficou lá? Porque lá ela não se sentia perto da onde tudo acontecia. Ela precisava estar na boca do vulcão. Do lado de todo mundo que fazia acontecer. Ela tinha que fazer acontecer. Mas ela sabia que isso leva tempo. Sempre soube. Mas foi e encarou com calma. Sabia que tudo tem seu tempo. A única coisa que sabia era que enquanto ela não se via morando em São Paulo, ela não sossegaria. O fato é que hoje ela andava sozinha pelas ruas mega-movimentadas da mega-metrópole e custa a acreditar que está no meio daquilo tudo. Lembra que isso tudo é fruto de muita dedicação e sorria porque isso era o sonho de meses atrás e, apesar de ainda incompleto, agora era realidade. Daí ela pensa: se parte dele se tornou real, porque o sonho inteiro não se tornaria?